Sexta-feira, Junho 06, 2008

Ex-Arctic Monkeys forma super-banda

Enquanto um macaco está investindo em pop épico sessentista, Andy Nicholson, ex-baixista do Arctic Monkeys, também investe em seus contatos na hora de gravar o álbum de estréia de sua nova banda, Mongrel.

O grupo é um sexteto formado com o atual bateirista dos Monkeys Matt Helders, além de Jon McClure e Joe Moskow do Reverend and the Makers, Drew McConnell do Babyshambles e do rapper londrino Lowkey.

Em entrevista ao site da Billboard, Jon McClure explicou o projeto. "Eu sou o cantor, Lowkey faz os raps e nós temos alguns convidados. Tivemos Saul Williams, e provavelmente M.I.A. e Pete Doherty irão fazer alguma coisa."

Jon - que descreveu o álbum como uma mistura incendiaria de hip-hop, dance e rock, mas com mensagem política - completou. "Nós mesmos estamos produzindo e eu paguei todos os custos disso do meu próprio bolso porque eu acredito nisso. Eu estou excitado sobre isso porque acho que é um álbum importante. Estamos falando coisas que ninguém teve coragem para dizer nos últimos oito anos. Estamos desafiando algumas pessoas, como se nós fossemos o Public Enemy."

Quando o Arctic Monkeys apareceu na mídia inglesa pela primeira vez, Jon foi apontado como o sexto integrante por ter ajudado Alex a escrever algumas faixas, além de ter "emprestado" seu irmão para a capa do debut da banda.

WHO SAID PARTY?

Tem essa dupla espanhola - sem conotação pornográfica – muito faceira chamada Cof Cof. Nunca tinha ouvido falar deles até eles decidirem fazer um remix para “Flashlite Monkey” da minha banda, NRK. Mas ainda bem que fizerem, senão continuariam sem saber quem eles eram, não é mesmo?

As músicas que compõe o EP Who Said Party? são electro-fofo gostoso de ouvir. O vocal podia ser mais bem gravado, é verdade, mas isso é “culpa” do processo de home-recording: nem todo produtor caseiro consegue comprar um microfone bacana logo de cara. O duo tem um sotaque bem carregado e, mesmo cantando em inglês, soam como espanhol. Porém é inegável o lado charmoso da tentativa de domínio de uma outra língua.

As bases são 8-bits dançantes, com linhas de guitarras bem planejadas e não agressivas. Há eventuais usos de bumbos e cowbells que fez com que alguns jornalistas os comparassem com o Bonde do Role. As melodias são muito-muito catchys, daquelas que poderiam fazer parte da trilha-sonora de qualquer desenho da Disney de temática ensolarada.

Adorei o que eles fizerem com “Flashlite Monkey”, uma levada meio Man Like Me meets Database. Gosto principalmente do jeito que a base é ascendente e elementos novos vão sendo adicionados nos mais de cinco minutos de remix. Arrasaram!

THE BO$$

O Bo$$ in Drama, aka o melhor projeto eletrônico nacional, não foi convocado para o Skol Beats... mas ele não poderia se importar menos! Péricles M., no início dos seus 20 e poucos anos, já é comentado pelos maiores blogs do mundo, tem uma agenda repleta de shows no (ingrato) Brasil e está sendo reconhecido como excelente produtor que é.

Semana que vem, o curitibano entra em estúdio com o Bonde do Role (e mais alguns produtores, comento isso depois) para ajudar na criação do segundo álbum do, agora, quarteto. Pelo que eu já ouvi, não esperem samples de tambores acompanhados de riffs de hard rock. O Bonde está em outra... mas hey, voltando ao Péricles.

O Bo$$ foi convidado pelo hypado quarteto australiano Gameboy/Gamegirl para criar uma faixa para o CD de estréia do grupo. O único pedido deles era “tem que soar influenciado pela música brasileira”. E bem, como bossa nova e samba não são exatamente preferência nacional, ele fez uso de um pancadão cheio de referências ao oitentistas.

E os australianos ficaram bem felizes com a faixa do brasileiro, tanto que já estão tocando em shows. Como filmou Gorky, o cabeça por trás do Bonde do Role, em recente show da banda em Melbourne. Repare que uma das vocalistas fica gritando “This is for you Perrrrrrculeeeeeees”. E não entendo porque, mas ela fez o cantor tirar a camiseta for percules! Estranho...


Gameboy/Gamegirl cantando música produzida por Bo$$ in Drama

Falando do Gameboy/Gamegirl, o DJ/produtor alemão Shir Khan fez um ótimo trabalho remixando a já excelente “Sweaty Wet/Dirty Damp”. Ele também fez um dos melhores remixes para “Office Boy” do Bonde do Role ano passado. Mundo pequeno, não?


Quinta-feira, Junho 05, 2008

EXCLUSIVO: CSS - “Donkey” (preview)

Na ordem:

Jager Yoga / Rat Is Dead (Rage) / Reggae All Night / Give Up / Left Behind / Beautiful Song / How I Became Paranoid / Move / I Fly /Believe Achieve / Air Painter

Sany Pitbull ladra e morde

Há uns meses, blogs, twitters e MSNs começaram a rodar um vídeo com o trecho da apresentação do carioca Sany Pitbull em um dos maiores clubes do mundo, a Fabric. O DJ está tocando a música mais batida do mundo, "We Are Your Friends" (sem necessidade de nomear os idealizadores da faixa), e consegue fazê-la renascer. Armado de sua sampler machine, que guarda recortes aleatórios das músicas, o brasileiro joga tambores entre os sintetizadores típicos do novo electro e a pista vai ao delírio.


O VIDEO

Em plena ascensão, o DJ se divide entre mil projetos. Está produzindo músicas para o filme Era Uma Vez com regência do maestro Berna Ceppas da Orquestra Imperial, editando imagens para o documentário City of Funk, que sairá na Alemanha, além de criar novas faixas para seus singles internacionais.

Conversei com Pitbull, via e-mail, para tentarmos descobrir como um residente de festas do morro consegue tocar em prestigiados lugares ao redor do globo, como e quando ele iniciou a mistura de música eletrônica com o baile funk e sua entrada no selo alemão Man Record.

Conte um pouco de como um produtor dos morros chega a tocar num dos melhores clubes do mundo (Fabric, Londres)?

Era questão de tempo. Há alguns anos o baile funk saiu dos clubes de subúrbio do Rio e subiu os morros, lá ele pegou força e se transformou no conhecido Funk Carioca e passado algum tempo o Brasil descobriu essa musicalidade das favelas do Rio. E como o samba fez no passado, chegou a vez do descriminado Baile Funk dominar o mundo. Essa historia começou em 2006 quando fiz a minha primeira turnê junto com o selo Carioca Funk Clube, foi paixão à primeira vista por parte dos europeus. Chegar no Fabric foi conseqüência desse trabalho. Talvez pelo Fabric ter essa mente aberta às novidades sonoras mundiais. Pra mim foi sensacional e está sendo maravilhoso participar dessa distribuição e divulgação do som que eu curto há mais de 22 anos.

Quais os programas que você usa para produzir suas faixas?

Basicamente eu uso a MPC e gosto também do ACID da Sony e do pro tools pra finalizar minhas produções

Quais equipamentos você usa na hora da discotecagem?

Pouca coisa: 2CDJ 800 ou 1000 da Pioneer e uma MPC 2500 da akai.

Você acha que a música que você faz consegue conversar com o baile-funk comum e também com essa nova levada de músicos atuando sob o rótulo de neo-funk?

Sim, consigo sim introduzir essas novas influências nos bailes funk tradicionais do Rio. Na verdade eu não gosto muito desses rótulos que dão a essas novas sonoridades, pra mim tudo é funk. Se você for à um baile de favela hoje e voltar três meses depois vai verificar muitas coisas novas em sonoridades e tipos de produção. O funk está sempre em constante mutação. O que na verdade está acontecendo é que o publico europeu, que não tem esses parâmetros de funk tradicional, de rádio ou proibidão ou sei lá o que mais, está mais aberto a essa nova sonoridade e a coisa lá fora está andando muito mais rápido.

Quais são suas influências eletrônicas? E influências de baile-funk?

Eu gosto de música, sem classificação de gênero. Respiro música desde que me entendo por gente, desde muito novo sempre ouvi de tudo, eu também fui influenciado quando criança pela música internacional que nos invadia via rádios FM. Sempre ouvi de tudo e isso me ajuda muito quando estou produzindo, não tenho preconceito e nem medo de misturar tudo com tudo, e claro, colocando dentro no universo do Baile Funk. As referências do Baile Funk eu trago de berço... Afinal de contas são anos curtindo, dançando, produzindo e tocando em baile funk.

Quando você começou a fazer essas misturas?

Foi por influência do selo Carioca Funk Clube. A vontade era fazer uma música sem apelo comercial direto, eu queria fazer um som com a minha cara e poder colocar nele o que eu bem entendesse sem a necessidade dessa música fazer sucesso rápido. Lá encontrei espaço e encontrei produtores que também tinham essa vontade. Isso começou por volta de 2004.

Qual música que você toca na Fabric que você não poderia tocar num festival na Bahia? E vice-versa.

Sabe que eu não sei? Depende da vibe, de como eu fui dormir na noite anterior, de como eu acordei e a participação direta de quem está ouvindo meu set, vou introduzindo as coisas e se a pista não cair vou indo sem limites. O que importa é a galera dançar.

Quais os samples de artistas internacionais que você mais usa?

No LIVE, que faço na MPC, eu uso de tudo: de Nirvana a Rolling Stones, de sons de vídeo games a Yes, de música clássica com Olodum a Guns... É muita coisa mesmo. Talvez seja uma forma de homenagear esses artistas e também poder mostrar como um DJ de funk carioca toca de maneira diferente aquilo que todo mundo já conhece.

Quais são os produtores nacionais de funk mais criativos?

Gosto do Phabyo, Mavi, Chernobyl, Dedé Mandrake, GrandMaster Raphael, Juninho Carioca, Edgar, Amazing Clay e do Sandrinho.

Quais as melhores faixas de gringos de baile funk?

Vou falar dos produtores estrangeiros que eu gosto: Diplo (EUA), Sinden (UK), Rideon (Finlândia), K-20 (Japão), Cassiano e Sujinho (EUA), e do Schowi e Passion (Alemanha). Todos são muitos talentosos e tem um respeito muito grande com o nosso Baile Funk Carioca.

Como você entrou na gravadora Man? Você tem liberdade de usar samples nas faixas lançadas pela gravadora?

Quando fui apresentado à gravadora Alemã Man Recordings, isso aqui no Rio, eles queriam apenas o "Funk Tradicional Carioca", não estavam interessados nessa mistura e nessa nova sonoridade, talvez por estarem a fim de mostrar o que estava acontecendo na cena dos Bailes naquele momento. Foi por insistência da sócia majoritária do Carioca Funk Clube, Adriana Pittigliani, que participei da serie "Baile Funk Masters" já com esse "novo funk". Tanto que o meu disco foi lançado em parceria com a Man Rec/CFC. Quantos aos samples que usei do Kraftwerk em "FUNK ALEMÃO" a Man Rec, responsável pela prensagem do vinil, que fez as devidas liberações.

Você muda seus sets de acordo com o lugar que está tocando? Você acha que um set seu do Rio de Janeiro funcionaria bem em São Paulo?

Eu toco pra pista e pro público, claro que a audiência mudando eu vou me adaptando. Não tenho um set pronto e definido, cada festa é uma surpresa pra eles e pra mim também, desde os bailes na Favela ao Fabric em Londres, em Helsinque, Estônia, Amsterdã, Berlim, Paris, Zurique, Copenhaguen, Estocolmo, Roterdã, Lisboa, Nova Iguaçu, Fortaleza, Porto Alegre, Macapá, Manaus, Salvador ou São Paulo. Tudo muda... O importante é que eu toco funk e de todas as maneiras possíveis e imagináveis e sem preconceito nenhum da minha parte. Se a galera tá curtindo? Já é.

O DJ volta a São Paulo no dia 14 de junho, na CREW.

TERROR! TERROR!! TERROR!!!

Eu não me canso de declarar meu amor por bandas britânicas de art-rock. E, recentemente, elas decidiram retribuir. A simpática gravadora Mute me escreveu enviando novidades do estranho mundo do XX Teens. O álbum de estréia Welcome To Goon Island será lançado no final de julho e contará com doze faixas, produzidas por Ross Orton (MIA e Bromheads Jacket).

A subdivisão da EMI me enviou quatro dessas doze faixas, incluindo o novo single ''The Way We Were". Música absurda, excêntrica e experimental, do jeito que todo projeto alternativo deveria soar. O que me causou um espanto ao ver que a simplória “Only You” foi escolhida para ganhar vídeo.

Dizem que após a reformulação da banda, o caldo punk experimental deles ficou mais fino, mas é só ouvir “Darlin'”, “My Favourite Hat” e “How to reduce the chances of becoming a terror victim” para calar todos esses pensamentos sujos.



Estou ansioso pelo álbum. Libera aí, Mute!

OBS. Eu vou entrevista a banda essa semana, se alguém tiver alguma pergunta para fazer é só jogar aí nos comentários.

MGMT FRM HLL

O vocal está mais abafado e com ares fantasmagóricos, a bateria quatro por quatro como de costume, o baixo extremamente oitentista de notas curtas acompanha os synths característicos... se não for o Justice quem criou esse remix, é alguém bem especializado no som da dupla francesa.

Apesar de não se comparar ao hit épico da original, o remix do Justice para “Electric Feel” tem público alvo: todas as pistas eletrônicas do mundo, que agora poderão saborear o lado excêntrico do indie cabeção sem temer o seu esvaziamento (efeito Moises).

Porém, mesmo com 320 kpbs na MP3 a qualidade não está lá essas coisas. No fórum em que eu peguei a faixa, dizem que ela foi recortada pelo cara da mesa de som num set recente dos franceses. E quando digo recortada, quero dizer interrompida em 2:53 no meio de uma passagem.

O Leif, DJ da cena club rap, fez um edit para a mesma faixa. Sua versão é uma mistura da música do ghetto brasileiro (baile-funk), com ghetto americano (b-more), que inclui um trecho do hit “Club Action” do Yo! Majesty e uma faixa desconhecida (por mim) da Trina. Sou mais esse do que o do Justice. Se bem que não ouvi a versão final, né?

Semana passada saiu um novo clipe para “Electric Feel”. Antes eles haviam lançado um vídeo interativo que você podia montar o seu look Cassete Playa favorito na banda alternativa do momento. Eu, particularmente, não gosto de dar poder as mãos do povo, mas sabe como é marketing, né? O vídeo “oficial” teve quase meio milhão de acessos e fora as mil outras versões não oficiais espalhadas pela rede. Mas voltando a versão “nós temos uma gravadora que quer investir na gente”...

Eu gosto de chamar esse novo vídeo de Peter Pan on acid, porque me lembra bastante aquele filme do Peter Pan que fica velho (sem o ácido). Bandas alternativas devem se inspirar em clássicos da Disney quando criarem o conceito dos seus vídeos? (Opa, esse é Hipster Runoff. Eu sou aquele que não dá poder ao povo.)


(velho)

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Quarta-feira, Junho 04, 2008

TRÊS PONTO UM

Finalmente acabou a maratona de ensaio, gravação, fotos e outras coisas que te fazem ter uma banda ser tão chato quanto ir à escola. Porém, como eu disse, acabou! Agora eu tenho tempo para o Putz Factory novamente, mas antes uma breve história (com final feliz).

Há uns três anos, eu comecei o blog. Ele era bem emo e pessoal. Eu reclamava porque era estranho e morava no interior. Se ao menos eu soubesse que essas duas coisas se tornariam uma das mais interessantes em mim... Daí teve a fase Londres, onde eu continuava reclamando da vida, mas fazia micro-resenhas dos shows que eu ia e dava dicas curtas sobre o que eu estava escutando e a imprensa inglesa hypando.

Na terceira fase, eu eliminei qualquer drama pessoal e me foquei só na música. Voltei para o interior sem nada pra fazer. Fui o primeiro blog brasileiro a entrar no Hype Machine e consegui uma audiência muito boa. O blog foi crescendo, crescendo e eu fui convidado para trabalhar no rraurl.com.

Me mudei para São Paulo e matei o blog (combo faculdade + trabalho – pais = tempo livre inexistente). Criei tempo e ressuscitei ele com o layout mais legal de todos os tempos; valeu Roder. Daí tive a brilhante idéia de fazer outra banda de electro-pop-rap irônica e o blog se perdeu no meio da correria.

Num acesso de ciúmes porque os blogs que eu influenciei estão super bombados por aí (veja lista de amigos), e o meu largado às traças, resolvi voltar. E agora pra ficar! E para me forçar a ficar escrevendo aqui, eu comprei um servidor. Sabe como dizem, né? Mexeu no bolso, mexeu na consciência do cidadão brasileiro. Então, sim, o blog agora também pode ser acessado no www.theputzfactory.com! E claro, sem mais filefreak, zShare e meuku. Eu estou pagando um servidor próprio para colocar as MP3s. O que significa 3 teras de banda por mês e 99% de serviço online (pelo menos o contrato diz isso).

Se você tivesse aqui do meu lado, eu cuspiria na mão e a gente formaria um pacto. Tipo daquele filme da sessão da tarde. Putz Factory 3.1, vamos ver se eu ainda sei brincar de ser relevante.

CORRÃO!

Sexta-feira, Maio 02, 2008

Cut/Copy - In Ghost Colours

Não parece que faz quatro anos desde que o Cut Copy apareceu com Bright Like Neon Light e marcou o início do burburinho eletrônico na Austrália, todo captado pela gravadora Modular. Antítese da cena hard-rock que nos trouxe monstros de couro pedindo para sermos as garotas deles, o então quarteto era uma bem fermentada mistura de electro-rock com new wave. Eles captavam uma sutil sensualidade que fez o escrachado e liberal electroclash perder o charme rápido. E o melhor, eles não precisavam de armas de divulgação para impor suas faixas ao mundo, o simples fato de ser música para dançar de qualidade derrubava qualquer parede criada por rótulos.

Com isso eles ganharam fãs entre roqueiros - de Franz Ferdinand à Bloc Party, todos os queriam na mesma turnê - e entre membros da cena que eles mesmos vieram a apadrinhar - que inclui MIAMIHORROR, The Presets, Midnight Juggernauts, Van She e muitos outros. O problema é que banda admirada - mesmo que não bem sucedida comercialmente - é cobrada ao máximo a dar novos sabores aos seus seguidores.

E o que fazer quando o então empoeirado estilo em que eles surgiram se torna saturado? Agir como David Bowie e matar o personagem para voltar pouco depois como outro não condiz muito com personalidades de uma banda. Afinal, são três pessoas de diferentes influências que se uniram apostando no que produziam em conjunto.

O Cut Copy escolheu mergulhar ainda mais na new wave, mas não naquela hedonista, tão divertida quanto descartável, e sim experimentando o novo, buscando inovar com synth-pop de qualidade. E lá estava o trabalho do Roxy Music, com seus dois Br(y)ians e seguidores como Orchestral Manoeuvres in the Dark (OMD).

EVOLUÇÃO
As letras mudaram de foco, com linguagem mais séria e densa, apesar de ainda dar espaço para refrões fáceis ("Life and music are on my mind / Be my baby one more time") e figuras nonsense. E uma certa influência californiana de vocais harmônicos povoam as faixas e suas transições (o álbum é praticamente mixado). Pense em Beach Boys e Eagles. No entanto, resumir In Ghost Colours a uma mera aprofundação de identidade é descreditar o trabalho da banda, que soa tão atual pela sonoridade única, de qualidade. Desavisados ainda os chamarão erroneamente de new rave.

Não só as influências foram melhor exploradas. A gravação desse segundo álbum foi levada de maneira muito mais profissional. Ao contrário da estréia, gravada em pouco mais de 24 horas num estúdio qualquer reaproveitando a maioria das gravações caseiras da banda, o sucessor nasceu após seis semanas. E isso reluz em resultados mais refinados e aveludados. Claro, grande crédito disso vai para a produção de Tim Goldsworthy, que segundo o baterista Mitchell Scott, foi responsável por "trazer/criar interessantes atmosferas para o disco". A apresentação das ‘guitarras com textura', uma aproximação com o típico som das guitarras inglesas que eles tanto gostam, também é culpa do produtor.

Após 50 minutos de orgulho pop divididos em 15 faixas, o Cut Copy encerra o álbum com uma pacífica faixa instrumental. Sensação de missão cumprida. Li em algum lugar que eles estão bem orgulhosos dessas músicas que fizeram, só não sei se eles entendem o tamanho do problema que eles compraram. Se superar Bright Like Neon Light tomou mais de três anos, In Ghost Colours deve roubar uns bons dez anos da juventude do trio. Ninguém mandou elevar o desafio.

O Rato Tá Morto

O CSS disponibilizou no meio da semana uma música inédita retirada do segundo álbum da banda, Donkey, para download grátis em seu site oficial. "Rat is Dead (Rage)", segundo a banda, foi inspirada em problemas que eles enfrentaram com seu antigo empresário e os mostra percorrendo um caminho muito mais rockeiro que seu CD de estréia, Cansei de ser Sexy.

Donkey será lançado no dia 21 de julho pela Warner na Europa e no dia seguinte pela Sub Pop nos Estados Unidos. Não há informações sobre lançamentos no Brasil.

Segundo a revista inglesa NME, o primeiro single a ser retirado do novo álbum dos brasileiros será "Left Behind" e também estará disponível como download grátis a partir do dia 14, no site da Sub Pop.

Demorou um dia de repeat na faixa pra eu gostar dela. E apesar da produção estar ótima, eu sinto falta da tosqueira electro-rock de que eles surgiram. Mas bem, não foi por falta de alerta. O Adriano cansou de falar que o CSS agora é uma rock band.

Lista de faixas oficial
"Jåger Yoga"
"Rat is Dead (Rage)"
"Reggae All Night"
"Give Up"
"Left Behind"
"Beautiful Song"
"How I Became Paranoid"
"Move"
"I Fly"
"Believe Achieve"
"Air Painter"

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CSS - Rat is Dead (Rage)